Super Pitfall – NES


Da série “Termine este jogo se tu é macho!”

Caras, sejam sinceros: quantas vezes vocês saíram do sério por causa de um joguinho irritantemente desafiador? Quem já não quis detonar o joystick num ímpeto de raiva pela jogabilidade tosca de um cartucho? Agora, pensem num jogo que, ao mesmo tempo que é tosco e tacanho, é $@%#! de tão complicado. Battletoads? Nah… eles sentavam murros nas dificuldades, com a persistência vencendo-as após meia dúzia de tentativas. Metroid? Também não: Samus Aran tinha munição infinita e um arsenal bem variado para progredir naquele planeta hostil. Magician? Pode até ser, mas esse título consegue oferecer mais trabalho…

Lançado em 1987 pela Activision, Super Pitfall é baseado livremente na versão Pitfall II: Lost Caverns, produzido em 1984 para o Atari 2600. Talvez um dos adventures mais famosos do mundo, com veteranos ainda saudosos do primeiro jogo, Pitfall!, de 1983, que praticamente fez escola no espírito fuçador da molecada.
Taxado, por muitos especialistas, como o jogo mais difícil da história do NES, Super Pitfall traz o retorno do explorador Harry em uma aventura repleta de perigos e obstáculos no interior das Montanhas da Cordilheira dos Andes. Harry deve resolver os labirintos para encontrar o diamante Raj, de valor incalculável, e, durante a expedição, resgatar sua sobrinha Rhonda e seu leão Quickclaw, os quais perderam-se na rede de cavernas e túneis. A empreitada não será fácil: Quickclaw está aprisionado numa gaiola cuja chave encontra-se nos confins do labirinto, enquanto que Rhonda foi transformada em pedra por uma maldição, forçando Harry a encontrar uma poção mágica para salvá-la. Como se não bastasse, o corajoso clone de Indiana Jones deve RETORNAR ao ponto inicial do jogo depois de concluir as missões!!

Resident Evil 4 é um xuxu perto disso!

O jogador tem três vidas para concluir o game. Ah, não gostou? Tá bom, Harry possui um revólver (um humilde .38), com 20 balas. Talvez você encontre mais munição em alguma passagem ou buraco… se as aranhas, cobras, condores, sapos, poços de lava, etc., não acabarem contigo antes!

De acordo com o manual de instruções, são mais de 270 telas que integram um único espaço labiríntico, repleto de complicações como plataformas altíssimas, lagos infestados de piranhas, penhascos, estacas, lava, cachoeiras e animais peçonhentos, tudo muito bem colocado, escolhido e conferido para a diversão (!) do jogador. Satisfeito? Calma, tem mais!

Não há continue. Morreu, estaca zero. Logicamente, isso não é problema nos dias de hoje, com os Save States dos emuladores, mas imagine na época dos consoles… Ah, sim: alguns inimigos são durões, como os homens das cavernas. Não dá pra simplesmente sair por aí mandando chumbo no que vier e contar com as balas dentro da montanha. A munição é escassa, e as balas extras encontram-se em pontos tão distantes e “nada-a-ver”, que quase não vale a pena se arriscar por elas. O que mais achamos na busca são maravilhosas barras de ouro, que valem muitos e muitos pontos e… ei, espere aí! Em meio a tantos perigos, de quê o ouro vai servir? Para pagar o caixão??

O manual também promete que existem mais itens espalhados pelas cavernas, alguns capazes de tornar Harry invencível por algum tempo. Outros, dão muitos pontos (que culminam em vidas extras). “Ah, então não é tão difícill, se tem tantos itens pra ajudar!” Talvez, jovem mancebo. Se você encontrá-los. Pois, além de estarem perdidos por aí, eles são… INVISÍVEIS! Isso quer dizer que só aparecem se Harry pular NO LUGAR CERTO!
Outros objetos não passam de chaves e mais chaves para as dezenas de portas que carinhosamente bloqueiam passagens críticas. Tá suave?

Sem contar os benditos BUGS: Super Pitfall é bem grosseiro na movimentação dos sprites e posicionamento dos objetos. Muitas vezes, Harry fica travado em paredes, com metade do corpo para fora, ou simplesmente falha o ângulo do salto e pisa em cheio naquela maldita aranha que tentamos evitar…
Certa vez, perdi a paciência com o travamento de Harry contra uma parede, um bug dos mais feios: o aventureiro literalmente atravessou um extenso muro na vertical, dando saltos curtos sozinho, subindo bem devagar. Seria cômico, se não fosse patético!

Mas o título tem seus méritos. Desafio qualquer cabra-macho do pedaço pra terminar essa birosca SEM SAVE STATES e SEM CHEATS. ‘Cês num tem culhão pra isso, cambada. Vão jogar Silent Hill. Ou choramingar pra alguma versão do Metal Gear. Porque aqui, cumpadi, veterano que se preza baixou a crista!!!

Sobre Rodrigo Bazílio

Apenas um professor de Língua Portuguesa e Literatura do Ensino Médio, com o hábito quase vicioso de aliviar o estresse com jogos eletrônicos, música, leitura, RPGs e com a arte de pintar miniaturas. Ver todos os artigos de Rodrigo Bazílio

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