Pintando Miniaturas IV (especial)

Sei que ando bem negligente quanto ao conteúdo deste blog. Não sou do tipo de dar desculpinhas. Vamos compensar a lacuna produtiva com um artigo de grosso calibre… com vocês, mais um capítulo da série mais artística (dentro dos limites leigos) do Alforje!

Passei os anos de 2013-2014 pintando diversas figuras. No princípio da empreitada, minha ideia era escrever artigos mostrando a evolução de minhas técnicas a cada 3 ou 4 minis pintadas, com isso evitando que o texto ganhasse uma carga pesada de fotos mal tiradas (não tenho uma câmera muito boa para macros). No entanto, com o passar do ano, as coisas vão se acumulando, às vezes a preguiça impera também, e tudo ficou atrasado. Então, resolvi tentar mostrar tudo o que fiz até agora, de uma vez. Vejamos no que dá.

REAPER BONES

Esta série de minis que é, de longe, a minha preferida, está cada vez mais ocupando espaço em minhas caixinhas de plástico organizadoras. Quem conhece a Reaper, sabe da qualidade de suas miniaturas, e não tem do que reclamar sobre a linha de plástico chamada Reaper Bones. Aqui no Brasil é complicado encontrar quem venda as minis da coleção, existem poucos vendedores no Mercado Livre e apenas uma loja, a Rocky Raccoon, oferece algumas. O jeito é importá-las mesmo, e fazer muitas preces para que nossos fiscais alfandegários agilizem o serviço (e não cobrem taxas). Costumo importar do Miniature Market, do Atomic Empire e da Paizo. Se você quiser tentar, prepare o bolso, pois apesar das minis serem baratas, o frete acaba pesando um pouquinho. Fica mais caro ainda se quiser comprar do site da própria Reaper

Havia uma lojinha brasileira, chamada Roleplay, que também começou a vendê-las um tempinho atrás. Infelizmente, o site está fora do ar para “manutenção”. Segundo os donos do negócio, dizem que a Roleplay está passando por uma reformulação. Clique aqui se quiser conferir.

Aí estão as minis Reaper Bones que pintei recentemente:

Para quem não conhece (e caso queiram procurar depois as minis nos sites que citei): a guerreira com duas espadas chama-se Michelle, human ranger. O anão chama-se Fulumbar, dwarf warrior.  A aranha é a Giant Spider e os orcs são Orc Archers (que vêm em 3 unidades na cartela, mas só quis pintar 2 mesmo). Para pintar a Michelle, lancei mão do uso da lupa com suporte  da Western, que pode ser encontrada baratinho aqui. O suporte até que foi útil para manter a firmeza na hora de pintar, mas confesso que a lupa me atrapalhou para visualizar os detalhes (talvez porque eu não use óculos).

Um caso curioso, antes de seguir ao próximo tópico: como ando utilizando tintas importadas na maioria das vezes, decidi repintar uma mini que não achei tão bem acabada – o Ogre Chieftain, da Reaper Bones. Na primeira vez, usei as tintas acrílicas da Acrilex, e pintei a miniatura do ogrão assim que a retirei da embalagem. Isso foi no Carnaval de 2013, durante três noites – período menos quente do dia. Porém, as camadas de tinta nunca secaram 100%, e, mesmo tentando secá-la com ventilador, a tinta continuou úmida, criando um ambiente perfeito para fungos, levando a mini a criar mofo várias vezes durante o ano. Quando perdi a conta de quantas vezes esfreguei cotonete e álcool na mini, tive uma ideia extrema: mergulhei a miniatura do Ogro de plástico num pote com acetona e deixei de molho por quase uma semana. Depois desse tempo, removi e lavei-a com muita água, esfregando bem forte com uma escova velha. Consegui, com esse processo, retirar toda a pintura antiga, o que me deixou livre para “reiniciar” o trabalho. Na segunta tentativa, só utilizei tintas importadas (Vallejo, Reaper Master Series, Humbrol…) e, bem… veja e compare você mesmo:

MINIATURAS 1/72:

Aqui registro uma subcategoria do hobby: a prática da arte da pintura com caixinhas de minis de escala 1/72 (cerca de 22 a 25mm). Essa escala é menor que o padrão clássico de RPG, em especial das minis de Dungeons and Dragons e Star Wars – nas fotos você pode comparar. Porém, as miniaturas de escala 1/72 representam toda a elegância da brincadeira: esse hobby de pintar e utilizar miniaturas com wargames começou com essa escala.
Dê uma pesquisada no Google e veja quantas mesas (com maquetes) de partidas representando batalhas da 1ª e 2ª Guerra Mundiais são criadas. Outras batalhas históricas também são muito representadas, como as escaramuças do período napoleônico e aquelas famosas pelejas da Guerra Civil americana – esse hobby vem sendo praticado há séculos. Não é difícil imaginar que os grandes generais elaboraram suas estratégias usando maquetes e miniaturas, daí para um jogo despreocupado, é um pulo…
Pintar minis de escala 1/72 tem suas vantagens. Elas sempre vêm em caixas, com uma ilustração mostrando a concepção artística do período histórico/batalha ou tema proposto. O grande benefício é que, pelo plástico ser barato, cada caixa traz cerca de 30~50 minis 1/72, presas numa grade chamada “sprue”. Para soltá-las, basta um pequeno alicate ou estilete mesmo. Com duas ou três caixas de minis 1/72, mesmo que muitas poses se repitam, é possível lapidar as técnicas de pintura indefinidamente, ou até o nível que você julgue o suficiente para usá-las em jogo ou apenas em mostruários.
De 2013 até hoje, venho adquirindo caixas de minis 1/72. E não tenho do que reclamar. Tenho caixas de soldados alemães e americanos da 2ª guerra, forças especiais modernas e uma caixa de fantasia medieval. Todas de marcas famosas e competentes, como Revell, Italeri e Caesar Miniatures. Se ficou interessado, dê uma olhada nos sites Mais Modelismo, HTC Modelismo, Modelismo Alpha ou no Mercado Livre.
Caso queira saber mais detalhes sobre as caixas de minis 1/72, aprendi muito sobre a qualidade dos moldes e posições no site Plastic Soldier Review. É todo em inglês, mas as resenhas são escritas por gente que entende mesmo do assunto – os autores do blog fazem comparações com todas as fabricantes, levando em conta a legitimidade do contexto histórico, o molde e a variedade de posições dos soldados. E, depois de tudo, ainda dão notas para cada categoria avaliada. Vale a pena!

1) CAESAR MINIATURES – Adventurers

Esta caixa adquirir via Ebay, de um vendedor britânico. A Caesar Miniatures é uma empresa que produz, em geral, miniaturas de batalhas ou exércitos históricos, focando em cenários da Antiguidade à Era Moderna. Porém, ela produziu recentemente uma linha de fantasia clássica, apresentando caixas com Elfos, Anões, Orcs, Goblins, Mortos-Vivos e Aventureiros. Foi essa última caixa que comprei. Destaque para o Goblinoide enorme, sem definição, que mais parece um ancestral primitivo de Goblins (o que já me rendeu muitas ideias para aventuras)…

2) CAESAR MINIATURES – WWII Infantry Set II

Esta caixa eu também adquirir via Ebay, de um vendedor chinês, e custou-me cerca de 9 dólares, com frete grátis. Creio que a Segunda Guerra é um assunto inesgotável para criar jogos, livros, filmes e miniaturas – não é preciso ser um professor de história para se interessar pelo tema. Aí vão alguns testes que experimentei com as minis 1/72 históricas:

3) REVELL – German Crisis Reaction Forces

Esta caixa (ou set) foi um achado dos bons… comprei numa loja em São Paulo, chamada Horiginal Modelismo (assim mesmo, com H, para referir-se à escala HO, oriunda do ferromodelismo). A Revell é famosa por produzir miniaturas de veículos civis e militares, de plástico, que muitos praticantes adoram gastar suas horas vagas limpando, colando e pintando o mais realisticamente possível. Esta caixa eu comprei por R$ 30,00, se não me engano, o que foi um excelente negócio, porque são 54 miniaturas de soldados alemães das forças antiterrorismo. A parte mais legal do trabalho foi simular a pintura de camuflagem dos uniformes… Confira:

4) REVELL – German Commando Special Forces

Este set é um dos meus preferidos – representa a famosa “swat” alemã, uma equipe com versatilidade de posturas e ações. A pintura pode ser um pouco “flat”, ou melhor, sem grandes variações, uma vez que o uniforme padrão dos soldados é escuro, sem detalhes para camuflagem. Mas a variedade de posições e a perfeição da escultura deixa isso longe de ser um problema…

5) REVELL – German Armoured Infantry

Esta caixa não é tão bem falada no meio especializado – o molde das figuras deixa a desejar, a escultura não é tão precisa, coisas assim você vai encontrar se adquirir este conjunto. No entanto, pelo preço (trinta Reais, 50 soldados), achei adequado para para treinar as técnicas.

6) Lucky Toys – Vlad Tzepes (sic)

Outro achado com louvor – um vendedor chinês ofereceu esta caixa por 9 dólares, frete grátis, no Ebay. Não pensei duas vezes, e agora tenho o conjunto 1/72 de maior qualidade representando toda a ferocidade do exército de Vlad, o Empalador. O mais legal é que a Lucky Toys oferece duas versões de Vlad para o consumidor – a versão histórica, barbudo, com a espada na mão, em posição de ataque, e a versão eternizada pela literatura de horror, o conde Drácula. As duas versões eu ainda não tive a ousadia de pintar. Vai que faço caca… =)

7) Academy – SPAD XIII WWI Fighter

Ok, esta caixa não é de soldadinhos. Mas, sabe de uma coisa? Acho que me descobri nesse hobby. Colar e pintar minis de veículos, ainda mais das Guerras Mundias, é divertido pacas. Dá um trabalhão, é necessário limpar, tirar o excesso de plástico, passar o primer antes de colar, pintar tudo com cuidado, colar decal militar… No fim de tudo, veja só o resultado. E não usei aerógrafo – foi tudo no pincel.

8) Wicca Workshop – Templário aventureiro

O Ian Heding, de Campinas, é um excelente escultor de miniaturas, como já citei em outro artigo. Você encontra diversas minis relacionadas a RPG no site Wicca Workshop. Desta vez, pintei o Templário, que pode se passar por um clérigo.

É isso, por enquanto. Diga o que achou, nos comentários, e até o próximo capítulo da série Pintando Miniaturas!

Sobre Rodrigo Bazílio

Apenas um professor de Língua Portuguesa e Literatura do Ensino Médio, com o hábito quase vicioso de aliviar o estresse com jogos eletrônicos, música, leitura, RPGs e com a arte de pintar miniaturas. Ver todos os artigos de Rodrigo Bazílio

2 respostas para “Pintando Miniaturas IV (especial)

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