Arquivo da tag: romantismo

Quando a noite chora…

“A vertigem não é o medo de cair, é a voz do vazio embaixo de nós, é a atração pela queda, é a embriaguez causada pela nossa própria fraqueza.” O Andarilho da Noite percorria seus olhos protuberantes pelas nobres páginas de Milan Kundera, guarnecendo seu espírito cinzento para afastar seus demônios durante pelo menos alguns momentos. Esses males inerentes, após seu renascimento para a vida noturna, ao invés de apenas sussurrarem obscenidades em seus cancerosos ouvidos, agora cavavam túneis em direção ao interior de sua alma, adornando-a com nódoas profundas e pesadas. Essas máculas eram como a cruz de um mártir: lembravam-no de seu fadário, pesavam em seus ombros, seduziam-no com o desejoso leito que se encontrava a seus pés e, ao mesmo tempo, incentivavam-no a seguir em frente com a esperança vã de uma dádiva no fim do caminho. É evidente que, para sua raça, carregar a cruz do martírio era uma sina eterna; ao contrário dos mortais, que sentiam o peso nas costas durante apenas alguns anos de suas vidas e recebiam, na conclusão de seu sacrifício, o alívio da crucificação e a remissão de seus pecados. Para os Amaldiçoados, entretanto, isso era intocável. Não, nada de final feliz. Um fim misericordioso para algum de seus Irmãos significava uma tentativa de se bronzear, ou ser empalado por uma estaca e jogado numa fogueira, como na época da Inquisição. Mas poucos tinham coragem para tanto.
E o Andarilho da Noite não era um deles. Continue lendo


O espelho – Machado de Assis

O espelho – Esboço de uma nova teoria da alma humana

 Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundia-se misteriosamente com o luar que vinha de fora. Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo.

Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação. Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinqüenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico. Não discutia nunca; e defendia-se da abstenção com um paradoxo, dizendo que a discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança bestial; e acrescentava que os serafins e os querubins não controvertiam nada, e, aliás, eram a perfeição espiritual e eterna. Como desse esta mesma resposta naquela noite, contestou-lha um dos presentes, e desafiou-o a demonstrar o que dizia, se era capaz. Jacobina (assim se chamava ele) refletiu um instante, e respondeu: Continue lendo


Dos jovens e do amor

(…)

Amar também é bom: pois o amor é difícil. Ter amor, de uma pessoa por outra, talvez seja a coisa mais difícil que nos foi dada, a mais extrema, a derradeira prova e provação, o trabalho para o qual qualquer outro trabalho é apenas uma preparação. Por isso as pessoas jovens, iniciantes em tudo, ainda não podem amar: precisam aprender o amor. Com todo o seu ser, com todas as forças reunidas em seu coração solitário, receoso e acelerado, os jovens precisam aprender a amar. Mas o tempo de aprendizado é sempre um longo período de exclusão, de modo que o amor é por muito tempo, ao longo da vida, solidão, isolamento intenso e profundo para quem ama. A princípio o amor não é nada do que se chama ser absorvido, entregar-se e se unir com uma outra pessoa. (Pois o que seria uma união do que não é esclarecido, do inacabado, do desordenado?) O amor constitui uma oportunidade sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo, tornar-se mundo, tornar-se um mundo para si mesmo por causa de uma outra pessoa; é uma grande exigência para o indivíduo, uma exigência irrestrita, algo que o destaca e o convoca para longe. Apenas neste sentido, como tarefa de trabalhar em si mesmos (“escutar e bater dia e noite”), as pessoas jovens deveriam fazer uso do amor que lhes é dado. A absorção e a entrega e todo tipo de comunhão não são para eles (que ainda precisam economizar e acumular por muito tempo); a comunhão é o passo final, talvez uma meta para a qual a vida humana quase não seja o bastante. Continue lendo


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