1942 – NES

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Este foi o primeiro cartucho que ganhei para usar em meu Top Game VG-9000 Double System, o clone brasileiro do NES mais vantajoso do país no fim da década de 80. Lembro até hoje de como fiquei exultante ao abrir a embalagem e descobrir o cartucho da CCE, padrão 60 pinos… mal sabia eu que seria minha primeira grande decepção nos games.

1942 é o primeiro da mais famosa sequência de jogos de tiro inspirada na Segunda Guerra Mundial do Nintendinho. Lançado em 1985 pela Capcom, apresentava uma premissa simples: o jogador era o piloto de um bimotor, provavelmente das forças aliadas, determinado a derrotar a quase invencível (e numerosa) esquadrilha japonesa. Nada de cheats ou meia dúzia de bombas do tipo “limpa-tela”, para auxiliar na empreitada. O que estava disponível como recurso único da aeronave (além do tiro comum) era o famoso looping, no qual evitavam-se os tiros e colisões com os adversários. Mesmo assim, tal manobra só podia ser executada três vezes a cada vida.

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O jogo dispunha de 32 estágios, contados de trás para frente, à medida que o jogador avançava. Normalmente, os estágios resumiam-se em esquivar dos aviões inimigos e de seus tiros (sempre mais lentos que os do protagonista…), apertando várias e várias e várias vezes o botão de tiro para limpar o caminho. Uma ou duas vezes por estágio, uma esquadrilha em formação ensaiada de aviõezinhos vermelhos liberava um power-up (POW), se derrotada. Tal item concedia um dos cinco bônus: destruir todos os inimigos da tela (incomum), mais uma carga de looping, uma vida extra (raro), uma melhoria no tiro básico ou uma dupla de pequenos aviões auxiliares, que acompanhavam o bimotor lado a lado. É evidente que os pequenos aviões eram valiosíssimos aliados no combate, posto que muitas vezes o tiro comum não dava conta de tantos inimigos na tela (que também faziam loopings desgraçados capazes de confundir o jogador durante as manobras e fazê-lo entrar numa colisão mortal). Após gastar um tempo detonando uma chuva de inimigos, o bimotor alcança o imponente porta-aviões americano e realiza o refrescante pouso para o Happy Hour. Neste ponto, a precisão dos tiros do jogador era calculada, pontos eram concedidos de acordo com o desempenho e, tão logo quanto chegou, decolava o heróico avião aliado para o próximo combate.


Como bônus adicional, o jogador ganhava uma vida a cada 80.000 pontos. O que era meio chato de conseguir, levando em conta que todo aquele enxame de aviões pequenos valia 50, os médios 100, os maiores 150… e alguns mini-chefes de até 2.000. Os chefões valiam generosos 20.000 pontos.

O desafio (que nem era tão difícil) apresentava-se interessante para um jogo tão simples. Talvez fosse por isso que eu jogava tanto (fora o motivo de ser um dos únicos três cartuchos que eu tinha). O que realmente irritava em 1942 era um maldito PIPIPI produzido como trilha sonora do jogo. Parecia um Código Morse, mas onipresente e repetitivo, como se fosse um disco arranhado. Ouvir aquela sinfonia retardada dava nos nervos, o que resolvi simplesmente abaixando o volume da TV. As poucas músicas incluídas não eram boas, como o aviso de fim de estágio e do Game Over. Funcionavam mais como uma marcação de evento bastante rudimentar.

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Dediquei muitas tardes chuvosas de 1991 jogando esse título. Calejei bem meu polegar no bendito direcional grosseiro do Top Game enfrentando os japas. Mas, numa bela tarde de sábado (se não me engano), atingi o último estágio (numerado 01 no jogo) e derrotei o inimigo final (como era de se esperar, o Papai-avião, enorme como só ele) com aproximadamente 50 tiros. Suei a camisa na batalha. A respiração era ofegante, os músculos das mãos super tensos, meu pai apreensivo testemunhando a garra do pivete de 12 anos. A tela escurece… todos ansiosos por alguma sequência de imagens que compensasse o esforço. De repente, os dizeres, em laranja: CONGRATULATIONS!
E… FIM! Lá vem de volta a tela de apresentação com o título, seleção de um ou dois jogadores, etc.
Decepção. O primeiro jogo detonado de minha vida não passou de um tapinha nas costas e uma palavrinha safada em sua conclusão…
silent 
Seria mais digno se o jogo fizesse parte de uma série chamada Podre e Infinito! 

Sobre Rodrigo Bazílio

Apenas um professor de Língua Portuguesa e Literatura do Ensino Médio, com o hábito quase vicioso de aliviar o estresse com jogos eletrônicos, música, leitura, RPGs e com a arte de pintar miniaturas. Ver todos os artigos de Rodrigo Bazílio

5 respostas para “1942 – NES

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